Haiti se levanta entre os escombros
Porto Príncipe, Haiti, 17-02-2010
Bandeira levantada até a metade da haste… Um mar de escombros… Assim está o país após um mês do terremoto que dizimou a cidade de Porto Príncipe e seus arredores.
Um lugar onde a vida já era difícil, agora, depois da tragédia, revela a urgência de construir novas bases e estruturas sólidas em termos de edifícios e de construção social que favoreça o exercício da cidadania.
Com esse espírito, a Amisrael organizou uma viagem com uma delegação formada por seus diretores e por grupos voluntários que, apesar de ser de diferentes religiões, de forma unânime expressaram suas condolências pela perda de tantas vidas, além de manifestar sua solidariedade ao povo haitiano.
Situação atual
O aeroporto continua fechado para voos comerciais. Para que a comitiva da Amisrael pudesse chegar, viajaram primeiro para a República Dominicana, e dali tomaram um avião que oferece serviços na região.
Os voluntários encontraram os acampamentos provisórios nas praças e espaços públicos, os quais foram instalados com a ajuda dos países que enviaram doações como tendas, alimentos, remédios e água.
As construções que não caíram completamente estão seriamente comprometidas. Segundo o último informe do BID, a infraestrutura afetada está estimada entre 8 e 14 milhões de dólares, superior ao Produto Interno Bruto do Haiti.
Luto
O presidente do Haiti, René Préval, declarou luto oficial do dia 12 ao 17 de fevereiro, em memória das vítimas do terremoto.
Até agora o número de vítimas fatais está estimado em 220 mil, segundo informaram as autoridades do país.
Esperança
A diretora administrativa da Amisrael, Kélita Machado, que viajou ao país para participar dos eventos solidários organizados pela instituição, informou que durante o segundo dia de estadia da comitiva em Porto Príncipe, chegou um carregamento de doações dos agentes da paz da Venezuela e que nos próximos días também chegarão 3 carregamentos de Chicago, com duas mil caixas de doações vindas de voluntários e de instituições como a Rainbow Push Coalition, Missão Anglicana Nossa Senhora de Guadalupe, além da Amisrael.
“Um coro patriótico entoando o Hino Nacional era a evidência que faltava para entender que essas pessoas sofridas, sobreviventes de duas tragédias - uma histórica e outra recente - estão dispostas a levantar das ruínas uma nação”, disse.
Educação
No dia 19 de fevereiro, a delegação participou da inauguração da 3ª Escola montada pelo Estado de Israel com o apoio de instituições não governamentais israelitas, instalada em um dos acampamentos distribuidos pela cidade. Cada escola oferece educação formal para 500 crianças.
O embaixador de Israel na República Dominicana, Amós Radian, chegou ao Haiti 15 horas depois do terremoto e desde então não deixou o país, em um esforço pessoal para canalizar as iniciativas israelenses e sua experiência em ações emergenciais para benefício do povo haitiano, em especial das crianças.
- Senhor Amos Radian, embaixador de Israel na República Dominicana
- O Lama Rinchen, Budista do Monasterio Sakya; o rabino Eliahu Birnbaum, juiz da Corte Rabínica em Israel; o pacifista Dr. William Soto, e a diretoria internacional da Amisrael expressaroam sua solidariedade com o povo haitiano
- Os haitianos enfrentam o desafio de recomeçar do zero
- No Haiti milhares de famílias perderam seus entes queridos, seus lares, porém ainda depositam suas esperanças na solidariedade mundial
A Amisrael também se junta a esta iniciativa por meio da confecção de material didático para alfabetização das crianças e também ajudando a ampliar o trabalho de formação intelectual nos outros acampamentos.
O Dr. Soto transmitiu o significado de trabalhar o ser humano integral: corpo, espírito e alma. “Mais além de enviar bens materiais, o trabalho se completa com esta contribuição à parte intelectual e com o fortalecimento da fé, por meio da esperança”.
Consolo
Além das doações materiais, os líderes religiosos deram apoio espiritual a este povo tão sofrido, por meio da sabedoria sob a qual cada uma das religiões está fundamentada.
O rabino Eliahu Birnbaum, juiz da Corte Rabínica de Israel chamou o público presente a refletir sobre a posição do Haiti no último mês, quando passou a ser o centro do mundo, permitindo que pessoas de diversos países cultivem amor pelo povo haitiano.
Já Lama Rinchen ressaltou a importância de estar presente e compartilhar “olho no olho”. Segundo a sabedoria budista, isso é a essência da palavra BUDA, um por todos e todos por um.
Uma religião praticada por quase 60% do Haiti, o Vudu, esteve representada por um de seus principais líderes, Agustin Sant Clow, o qual mostrou sua gratidão pelo gesto dos religiosos que se moveram até sua terra justamente no momento que eles mais necessitam de amparo espiritual.
Companheirismo
Um olhar… Um sorriso… Um toque… Esse remédio que cura muitas feridas foi distribuído em abundância.
Articulação
O presidente da República, René Préval, assim como a delegação da Amisrael, concluíram as atividades do dia com reuniões na Base Militar do Brasil, país que está responsável pela missão de paz que tem a tarefa de garantir um ambiente de segurança no Haiti. O embaixador do Brasil e os oficiais que estão a cargo dos trabalhos de reconstrução se uniram para definir uma estratégia de ação a curto, médio e longo prazo, com a qual os voluntários haitianos receberão capacitação, além do trabalho voluntário, para poder prover o sustento de sua familia.
Todo o planejamento está sendo feito em conjunto com o governo do Haiti, para que as instituições nacionais se solidifiquem e este país possa chegar a desfrutar da liberdade, da justiça e do desenvolvimento humano em um ambiente democrático.
Texto: Amisrael Haiti
Fotos: Jerusa Cruz
Edição: Gabriela Lara
Tradução: Lídia Cristina













